Ser fit
Consegues adaptar-te à língua, consegues conduzir no trânsito infernal, consegues adaptar-te à cultura...
Mas há sempre coisas que faltam e falham...
Das coisas que mais me custou deixar (para além das pessoas claro) foi deixar o meu grupo de treino.
Em Portugal praticava treino funcional misturado com grandes doses de maluquice à mistura (sabem o que são burpees? agora imaginem fazê-los 1000 vezes. O meu grupo fazia mas não na boa não julguem).
Eu gosto de treinar mas não amo treinar. Sei que me faz bem, sei que é preciso mas preferia mil fazes fazer soffing. Desculpem. Nem isso posso fazer porque não tenho sofá. Vida de emigrante!
Entrar no ginásio em França não foi e continua a não ser fácil. Primeiro porque tive que deixar de praticar treino funcional (sim no meu ginásio há aulas mas como podem imaginar não posso traduzir tudo o que eles dizem no telemóvel) e tive que começar a treinar musculação. Até aí tudo bem... O problema é que não sei o que fazer numa sala de musculação. Percebem o drama?
E não te passaram um plano?
Sim passaram. Mas imaginem. Eu estava habituada a fazer 1000 burppes, 1000 saltos de corda, 500, 1000, 1500 agachamentos, flexões, abdominais, etc...estava sobretudo habituada a fazer as coisas o mais depressa possível. Agora imaginem 4 séries com 8 a 12 repetições com 1 minuto de intervalo. 1 minuto é uma eternidade para uma pessoa como eu. Praticantes de musculação com certeza que acham que aquele minuto é importante para uma boa recuperação mas para mim 20s é mais que suficiente.
Este foi o meu primeiro obstáculo.
E o segundo que está em primeiro também são as pessoas.
Neste momento treino sozinha! Em Portugal treinava com mais 4 pessoas. O coach e mais 2 amigos. O coach André era a pessoa que para além de nos dar o treino maluco puxava por nós. Acreditava em nós mais que nós próprios. Puxava por nós. Dava-nos na cabeça. "Castigava-nos". Para mim tornou-nos mais fortes. Tanto fisicamente como psicologicamente.
Depois os meus colegas. A Tété e o Mourão. A Tété era a focada e a mais fit de todos o Mourão o que mais odiava fazer isométrico e o que mandava umas bocas para rir. Eu era a que mais resmungava. E mal ouvia a palavra burpees havia qualquer coisa dentro de mim que morria. Tipo amor-próprio!
Tornamo-nos um grupo a séria! Daqueles que competem mas não por razões não saudáveis. Éramos mesmo unidos! Em tudo! Ninguém ficava para trás. E quando se faziam desafios de grupo. Tipo 1000 repetições de qualquer coisa (claro que a dividir pelos 3!) via-se que estávamos ali, naqueles 45 minutos, para o que desse e viesse.
Foram eles a razão para muitas vezes ter ido treinar sem me apetecer. Hoje continuam a ser eles a razão para eu não desistir! A motivação às vezes é escassa mas lembro-me sempre quando o mesmo acontecia em Portugal e os tinha a eles. Hoje não os tenho aqui mas tenho a marca que eles deixaram.
Com isto quero-vos dizer que nem tudo é fácil. Na vida não queremos lidar com frustrações porque isso dói. Fisicamente preferimos estar no relax a ter que andar de um lado para o outro. O corpo e a mente trabalham para estar em equilíbrio e nem sempre o que ele quer é de facto o que é melhor para nós. Acredito que todos nós temos uma forca, uma inspiração, uma marca, qualquer coisa que nos faz ir mais além e é a isso a que temos que nos agarrar. Não se deixem levar pela preguiça, não escolham o caminho mais fácil. Desafiem-se sempre! Insistam! Não desistam da guerra. Porque vocês são sempre mais fortes do que aquilo que julgam ser. E não isto não é cliché!
E OBRIGADA champions por eu continuar a conseguir ser fit e meia graças a vocês e à nossa história!


Comentários
Enviar um comentário