Num mundo cheio de cores
A semana passada perguntaram-me se eu tinha outra nacionalidade sem ser portuguesa. Respondi que não, que sou 100% portuguesa de alma e coração. Curiosa com a pergunta perguntei porquê. O rapaz de pele negra disse-me : Porque tu não vês cores !
Perguntei eu : Não vejo cores ?
Rapaz : Não. Tu tratas todos de forma igual és simpática com todos e ajudas todos de igual forma.
Eu meia em choque respondi obrigada e que ficava feliz por não ver cores.
Este pequeno discurso no final do dia de trabalho despertou-me para uma realidade que parece andar por ai escondida. No mundo das redes sociais ninguém é racista ninguém é preconceituoso e todos lutamos pela igualdade. Mas será realmente assim? Porque se é realmente assim porque havia ele feito esse reparo em mim ?
Lembro-me da primeira vez que vim a França ficar chocada com a multiculturalidade. Nunca tinha visto tantas cores num espaço só porque não estava habituada a isso.
Mas vinha de férias e não tinha que lidar com essa realidade.
Até emigrar.
Para começar onde trabalho há marroquinos, negros do norte de África, franceses, portugueses, turcos, moldavos. Lido diariamente com pessoas de diferentes nacionalidades e culturas.
Até que me habituei a não ver cores, até que me habituei a não achar falta de educação alguns homens não me cumprimentarem mas sim a perceber o porque e respeitar. Comecei a ter que responder que não tenho tapete para rezar mas que sei quem tem e que pode emprestar. Perguntam-me para onde esta virada a Meca, eu não sei, mas sei que existe uma aplicação que diz a direção. Comecei a apreciar os tecidos das africanas cheios de cores e padrões mostrando alegria e vida. Habituei-me ao cheiro de banana frita. Comecei a por-me do lado de quem não é europeu e as dificuldades que isso traz. Comecei a perceber que por muitas diferenças a nível de cor, crenças, pensamentos e formas de estar somos todos humanos e na génese somos todos iguais e lutamos todos para ter uma vida melhor quer rezemos mais ou menos, quer tenhamos a pele negra ou branca, quer se acreditamos mais ou menos.
Não vejo cores e ainda bem. E tu?

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