Ser ou não ser parte II


Hoje não sei quem tinha razão....

Não sei se sabem mas as pessoas formadas em psicologia não são psicólogas nem podem ser apelidadas como tal porque não estão inscritas na ordem dos psicólogos. E aqui começou tudo. Sou psicóloga mas não sou. Então bora lá ser né?

Caminho muito complicado, muito choro, muita vontade de desistir, a pergunta sempre presente. Será que é isto que eu quero ?
Se fiz o estágio profissional devo-o ao meu pai que me disse "Faz o estágio e depois és livre para fazer o que quiseres!" E eu sei que depois de todo o esforço que eles fizeram eu devia-lhes isso. Pelo deles e pelo meu também.
Estive 2 anos para conseguir um estágio profissional que estivesse de acordo com os parâmetros da ordem. 2!!! Eu que pensava que com o meu currículo chegaria la fácil. Mas não. 2 anos de total angústia e ansiedade. 

Durante 2 anos fiz variadissiamas coisas para não perder o rumo. Encarava os dias como mais um dia de luta sobretudo a nível psicológico. E quando finalmente consegui o estágio havia uma desilusão com a psicologia em mim. Não nego que ainda hoje há. Eu nem era psicóloga era psicóloga estagiária. Aquele estágio é que iria ditar se eu realmente era psicóloga ou não. E não os 5 anos feitos para trás inclusive com 9 meses de estágio curricular supervisionado por uma psicóloga credenciada pela ordem. 

Feito 1 ano de estágio decidi que a psicologia não era para mim. Pelo menos não por agora. Não foi uma decisão fácil não julguem. Mas foi a que mais estava de acordo com a minha consciência. 

Na minha opinião há um ciclo vicioso instalado que queima as poucas ofertas de emprego. Há muitos cursos de psicologia em Portugal, há muitos estagiários curriculares e por conseguinte há muitos estagiários profissionais. E por último muito desemprego para quem já é de facto psicólogo.

Não digo que os primeiros anos de trabalho não tenham que ser surpervisonados porque como é óbvio tem. A universidade não nos ensina tudo. Só a experiência e a realidade nos vão dizer como agir em determinados contextos que possam surgir. Afinal lidamos com seres humanos que são únicos na sua forma de ser e de experienciar.

Mas sou de acordo que se deve pensar numa outra forma de que os recém licenciados em psicologia possam ter acesso à profissão sem para isso terem que esperar 2,3,4 anos ou terem que se sujeitar a condições de trabalho que não são as ideais. 


Continua....

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